Um não à diversidade

Foto: Macleod/sxc.hu

Há pouco mais de uma semana, o Brasil conseguiu mais uma vez retroceder na questão ambiental ao não assinar o Protocolo de Nagoya. Instrumento importante para a conservação e uso sustentável da biodiversidade, ele entrará em vigor em outubro após ter sido ratificado por 51 países. O principal aspecto do acordo é regulamentar o acesso aos recursos genéticos e o compartilhamento de benefícios da biodiversidade.

A justificativa para ficar de fora? A possível dificuldade que o protocolo iria criar para o agronegócio, pois seus principais produtos, como a soja, são baseados em espécies animais e plantas não nativas do Brasil, trazidas originalmente de outros países. O voto contrário, dado principalmente pela “bancada ruralista” do Congresso pressionada pelos grandes proprietários, foi contestado por diversos especialistas, por ser um argumento infundado, já que o acesso a alimentos não será determinado pelo protocolo, mas pela legislação do país de origem, assim como...

Continuar leitura de post

Cinco destaques ambientais que valem a Copa

Faltam 13 dias para a Copa do Mundo chegar ao fim, mas já podemos quantificar o legado ambiental que ela nos deixa. Confira abaixo cinco destaques ambientais que podem nos ajudar a repensar algumas atitudes e que deveriam ser incorporados no nosso cotidiano.

1. Gol da reciclagem

Uma parceria entre o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), a Coca-Cola Brasil e a Fifa prevê a ação de cerca de 840 catadores de recicláveis dentro dos 12 estádios da Copa. Organizados em cooperativas, eles foram os responsáveis pela destinação correta de mais de 184 toneladas de resíduos até hoje (30). A mensuração é feita através de um sistema de gestão chamado CATASig, que criou o Placar da Reciclagem. Com este sistema, é possível qualificar a gestão administrativa e financeira das cooperativas e contabilizar, diariamente, o volume de materiais recicláveis coletados e triados, especificando-os por tipo e calculando o volume de recursos naturais poupados.

2. Ippon moral da torcida...

Continuar leitura de post

Por uma nova rainha do lar

No post da semana passada, falei de atitudes simples que podemos ter como forma de assumirmos a corresponsabilidade pela salvaguarda do Planeta. Um bom exemplo de responsabilidade compartilhada dentro da Política Nacional de Resíduos Sólidos seria diminuirmos a produção de lixo orgânico adotando práticas baratas de reciclagem. Neste final de semana fui interpelada sobre que exemplos seriam esses.

Na internet podemos encontrar inúmeras ideias de reciclagem e reuso de resíduos. Pessoalmente, o mais prático (para população e município), mais imediato e barato é a composteira caseira. Abaixo é possível conferir o que escrevi sobre o assunto para a Cidade Nova de fevereiro deste ano.

Cidade Nova, fevereiro 2014

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há duas experiências interessantes em curso usando a composteira caseira. Uma delas, na cidade de São Paulo, vai selecionar 2.000 famílias de diferentes estilos de vida, acompanhá-las e levantar informações pertinentes para a multiplicação da prática da compostagem...

Continuar leitura de post

A resposta ao descaso é a paz

Há poucos dias, folheando alguns livros ao acaso, me deparei com uma história bastante conhecida do filósofo dinamarquês Kierkegaard. O pequeno trecho, presente na sua primeira obra, fala de um palhaço que tentava avisar o público do fogo nos bastidores do teatro. As pessoas, pensando que fosse uma piada, riam e aplaudiam. Kierkegaard conclui com a seguinte frase: “Este é o modo, suponho, como o mundo será destruído - em meio à hilaridade universal de humor e jocosidade, que pensa que isso tudo é uma brincadeira”.

A conexão foi quase imediata. É assim que os ambientalistas se sentem. Apelidados de ecochatos e marginalizados ao tentarem defender um bem coletivo, eles parecem falar a uma audiência que ri e aplaude sem perceber que é ela quem está afundando no barco furado que acabou construindo para si.

O Dia Mundial do Meio Ambiente parece ser um exemplo do descaso que o tema ambiental enfrenta. Na mídia, a data foi praticamente ignorada e nas cidades, poucas ações se dispuseram, de...

Continuar leitura de post

Porque deveríamos ser todos carrancas

Foto: Divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As figuras mal encaradas utilizadas nos barcos que navegam pelo rio São Francisco como forma de espantar os maus espíritos se transformaram em objeto de identificação cultural da população ribeirinha. Conhecidas como carrancas, as faces humanas ou animais encarnam outro papel na campanha do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco: a de defensoras do Velho Chico. Intitulada “Eu viro carranca pra defender o Velho Chico”, as ações da campanha acontecerão hoje (03) para marcar o Dia Nacional em Defesa do Velho Chico.

Confira no vídeo a proposta do evento:

 

Os quatro pontos destacados pela ação são a revitalização do rio, sua vazão ecológica, a disponibilidade hídrica e a gestão humana dos recursos, que leve em conta os povos que vivem no entorno da Bacia. O presidente do Comitê, Anivaldo Miranda, disse que a campanha não é um protesto, mas um alerta para os problemas do rio. Em coletiva de imprensa realizada no dia 28, Miranda destacou ainda a...

Continuar leitura de post

Um tributo aos Zé Castanhas

“O comportamento das vítimas contribuiu de certa maneira para o crime (…), pois tentaram fazer justiça pelas próprias mãos”. A afirmação, cheia de vícios, parece ter sido feita da observação dos recentes fatos que aconteceram no Brasil - desde o acorrentamento de um jovem ao poste até o linchamento de uma mulher. Porém, ela foi feita há mais de um ano, em texto da sentença final que inocentou um dos acusados de mandar matar José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo. Zé Castanha, como era conhecido, sofreu uma emboscada no dia 24 de maio de 2011. Os dois pistoleiros, que além de matarem o extrativista, levaram uma parte da sua orelha como prova do crime, foram condenados a 40 anos de prisão. Já o acusado de ser o mandante continua em liberdade, morando no local da disputa que levou aos assassinatos.

A “justiça” de Zé e sua esposa era defender as florestas repletas de castanheiras. Graças às denúncias deles, 10 serrarias de castanheiras foram fechadas. Estas árvores são...

Continuar leitura de post



Sobre

Estamos em processo de adaptação ao planeta Terra e ainda precisamos aprender a conviver e cuidar dele da mesma forma que cuidamos de uma criança ou um idoso. Ele é um sistema vivo, no qual todas as partes interagem, inclusive conosco. E o cuidado é essencial, mais do que a razão e a vontade. Mas para cuidar é preciso conhecer. Por isso, este blog se propõe dialogar sobre meio ambiente, destacando fatos importantes para quem quer ambientar-se ainda mais com a nossa casa.

Autores

Ana Carolina Wolfe

Formada em jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR), é repórter de Cidade Nova desde 2011. Começou a se interessar por meio ambiente em 2002. Desde então, se apaixonou pela “tradução” de temas ambientais ao público. Hoje, além de Cidade Nova, atua como assessora de imprensa em um centro de pesquisa voltado ao agronegócio e como diretora na ONG Florespi.